Câncer na gravidez: qual o tratamento mais indicado durante o período gestacional?

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O câncer é uma doença que não escolhe sexo, etnia e condições financeiras e pode trazer inúmeras dúvidas ao paciente, quando confirmado os resultados positivos dos exames. Esse tipo de diagnóstico, ainda mais durante o período gestacional, trará de imediato, mais receios para a futura mamãe.
Conversamos com a médica oncologista do Centro de Oncologia do ABC (CEONABC), Patrícia Santi, que falou um pouco sobre o assunto. O primeiro passo é tranquilizar a paciente e sua família, ressaltando que o tratamento com cirurgia e quimioterapia, é compatível com a gestação: “a quimioterapia, aplicada após o primeiro trimestre da gestação, não gera riscos para o feto e a interrupção da gravidez não é sempre necessária”, conta.

E a radioterapia? Eu também posso fazer?
Não. A radioterapia pode elevar as chances de um abortamento, má formação, distúrbios de crescimento e desenvolvimento, “como também efeito carcinogênico e/ou mutações genéticas no feto.
Apenas a quimioterapia é indicada em situações como essas. Os protocolos desse tratamento para uma mulher grávida são os mesmo que aplicados para uma mulher não-gestante”, revela a médica.
Vale ressaltar que, caso haja a necessidade de cirurgia, o procedimento é seguro de ser realizado.

Câncer de mama é o mais diagnosticado durante a gravidez
O câncer de mama pode ocorrer entre 1 a cada 3.000 mulheres, de acordo com dados da Universidade de Navarra University, na Espanha. Ainda assim, ele é considerado o tipo mais frequente em mulheres grávidas, podendo surgir após o parto, no ano do nascimento do bebê ou durante o período de amamentação.
O Grupo Espanhol de Pesquisa sobre Câncer de Mama (GEICAM) afirma que esse problema ocorre entre 6 e 15 por cento dos tumores de mama, com mulheres na faixa dos 24 – 44 anos. A idade média para o aparecimento de câncer de mama em mulheres grávidas é de 36 anos.

Terminei um tratamento oncológico: posso engravidar?
Há alguns estudos e pesquisas que indicam o prazo de 2 anos após o término do tratamento como a faixa de tempo mais segura para se tentar engravidar. Porém, há relatos de que não houve prejuízo algum aos fetos concebidos antes de 1 ano do término do tratamento.
A oncologista Patricia Santi faz um alerta: “mulheres que estejam no pós-tratamento e fazendo o uso do medicamento Tamoxifeno, devem interromper o uso, pelo menos 3 meses antes de parar com os métodos contraceptivos”.

Câncer ginecológico está diretamente ligado à interrupção da gravidez?
Para tumores de colo de útero a interrupção da gravidez não é obrigatória. Dependendo da idade gestacional em que o câncer foi diagnosticado, é possível ser feita uma linfadenectomia (retirada dos gânglios na pelve). Após o primeiro trimestre, é possível ser oferecido quimioterapia neoadjuvante e depois do parto, a cirurgia e/ou radioterapia são realizadas.
Caso a doença esteja em estágio muito inicial (IA1), pode ser realizado o seguimento gestacional, com exame clínico e colposcopia (exame do colo do útero, através de um colposcópio) de 3 em 3 meses até o parto, adiando o tratamento definitivo para depois do nascimento do bebê.
Entretanto, se o tumor estiver muito avançado ou se houver sinal de aumento da doença durante o tratamento ou vigilância, a interrupção da gravidez poderá ser discutida para que um tratamento mais agressivo seja instituído.
Para câncer de ovário, a interrupção da gravidez também não é obrigatória. A cirurgia inicial é segura e a quimioterapia pode ser oferecida após o primeiro trimestre. Após o parto pode ser oferecida uma cirurgia mais extensa, a depender do estágio da doença, para aumentar a chance de cura.
Em tipos de câncer como esse, caso a mulher opte por fazer congelamento de óvulos, ele deve ser realizado antes do início do tratamento oncológico.

Importante: Caso você esteja grávida e tenha recebido tratamento de quimioterapia nos primeiros meses da gestação e/ou radioterapia durante qualquer período, uma avaliação imediata deve ser feita pelo seu médico, para aconselhamento e diagnóstico de possível má formação do feto.

Todas as pacientes com potencial para engravidar devem usar métodos contraceptivos eficazes antes do início de qualquer tratamento.
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